Paolo Zanotto: “o tratamento precoce da covid foi demonizado no Brasil”

Em entrevista à Rádio Bandeirantes, o virologista e professor do departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP) Paolo Zanotto, esclareceu muitas dúvidas sobre o covid-19, tratamento precoce como medida para combater o avanço do novo coronavírus para fases mais agudas, como a inflamatória, além das vacinas que estão sendo utilizadas para imunização, bem como outras mais eficazes que ainda chegarão ao mercado.

De acordo com Zanotto, a imprensa brasileira tem fechado os olhos para dados relevantes que estão sendo mapeados em países como México, Eslováquia, Índia entre outros. Para o virologista, o tratamento precoce é a norma da medicina.

“Ninguém vai tratar um câncer quando já está com metástase. É o que se faz no começo da doença, dos sintomas. No caso da covid-19 você tem que começar a tratar a partir do segundo dia da manifestação de sintomas para que tenha capacidade de reduzir significantemente a reprodução viral e não deixar a coisa evoluir para o estado inflamatório”, afirmou.

“O que está acontecendo em Chiapas, no México, é a redução de 50% a 80% por causa do uso da ivermectina. Eu recomendo que vocês (da imprensa) acompanhem o que está acontecendo em locais como Chiapas (México), na Eslováquia, na Índia. Vocês não estão fazendo isso.”, completou.

Zanotto também comentou sobre as vacinas que estão sendo utilizadas no Brasil, se serão realmente eficazes para prevenção da doença.

Segundo o virologista, “é preciso que haja vacinas que aumentem o Iga (imunoglobina A). Existem vacinas sendo produzidas, inclusive no Brasil, que vai ser a gotinha. Elas induzirão uma coisa que as outras vacinas não induzem, que é o IgA, que é produzido na mucosa (bucal) das pessoas e ele consegue impedir a infecção do tecido respiratório, que é onde começa a infecção. A vacina que o Jorge Kalil (professor de Medicina da USP) e a vacina que a CanSino estão produzindo, as inalatórias, vão ser a grande solução vacinal”.

De acordo com Zanotto, as vacinas que existem hoje em dia não visam impedir a transmissão da covid-19.

“Elas visam o não agravamento. O desfecho que elas protegem é a pessoa ser infectada e não agravar. O reforço dessas vacinas que a gente está olhando agora vai ser a infecção natural do vírus, porque aí a pessoa produz o IgA. E o IgA é crucial”, afirmou

Em relação às atuais vacinas (com exceção da vacina da Pfizer), o professor explicou que a resposta imune é muito complexa. “A produção de IgG, estamos percebendo em algumas vacinas, é muito alta depois da segunda dose. A qualidade dos anticorpos é muito boa, mas não existe a formação do IgA. E é fundamental para você não ser reinfectado. Há duas maneiras de se conseguir o IgA. Uma é ter contato com o vírus. Outra, é ser vacinado por uma vacina que induz a produção de IgA. É o que a gente fazia com a poliomelite. Lembra da gotinha que salva? O que ela é? É a sabin, que é um vírus atenuado, que era colocado na mucosa da criança e ela vai produzir o IgA, que é o anticorpo que a população tem que ter. Sem o IgA você não corta a cadeia de transmissão”, informou Zanotto.

Confira, abaixo, a entrevista na íntegra.

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