Amor em tempos de cólera: ‘Coração de Campanha’ em cartaz no CCBB BH a partir do dia 17

A pandemia trouxe muitos novos normais para nossa rotina. Alguns, positivos. Outros, vergonhosos e, entre eles, o aumento da violência doméstica no Brasil. A pesquisa da Confederação Nacional dos Municípios mostrou, por exemplo, que em 483 cidades houve aumento de casos de violência contra a mulher durante a covid-19. Este recorte das janelas indiscretas ‘tupiniquins’ despertaram na atriz Clarice Niskier a urgência de fazer um contraponto e falar sobre a realidade das famílias que se reaproximaram, dos casais que passaram a se ajudar; da importância da solidariedade em meio à tantas perdas, do nascimento de grandes amizades amorosas. Surgiu assim a peça “Coração de Campanha”, cujo roteiro tem assinatura de Niskier e que tem também a atuação do do ator Isio Ghelman.

O texto apresenta um casal surpreendido pela quarentena, em plena crise e iminência de separação. Eles não fogem dos conflitos, e este confronto desemboca em um silêncio renovador – ambos não querem mais “ter razão”, mas encontrar saídas para os problemas que foram se cristalizando com o tempo. Em meio a tragédia, descobrem dentro de si novas possibilidades.

“Comecei a escrever intuitivamente, sem nenhuma preocupação, como se fosse um diário. Diálogos curtos sobre o mundo, a situação do planeta, a vivência dentro de casa, com a família, tudo interligado. Convidei o Isio (Ghelman, ator) para ler comigo pelo Zoom as cenas iniciais. Ficamos impactados com a leitura. Sentimos que dava samba. A partir daí decidi escrever uma peça de teatro. São dezenas de cenas curtas, entremeadas por música e silêncio”, conta Clarice.

A montagem leva a supervisão de direção de Amir Haddad e conta com trilha sonora original de José Maria Braga. Em Belo Horizonte, a temporada começa nesta sexta-feira, 17, no Centro Cultural Banco do Brasil, e segue até 17 de outubro, sempre de sexta a segunda, às 20h. 

SINOPSE

Uma atriz e um professor universitário, casados há 25 anos, estão às vésperas do divórcio quando chegam a pandemia e a quarentena. Com todos os teatros fechados, ela fica sem trabalho e sem renda. Ele (Isio Ghelman), com emprego estável e salário garantido, permanece em casa. Ele propõe uma cooperação amigável no lugar de uma separação amigável. ELA (Clarice Niskier), indecisa, acaba aceitando: permanecem juntos de março a dezembro de 2020. O casal mora com o filho de 21 anos, que passa pelo período mais difícil de sua vida, todos os planos foram por água abaixo com a chegada da pandemia.  Novas dimensões da relação vão surgindo e surpreendendo o casal.

Em tom leve e comovente, eles conversam sobre rupturas, amizade, amor, sexo, casamento, envelhecimento, perdas, desilusões, dinheiro, sobrevivência, pandemia, transformações sociais, trabalhos on-line e relação com o filho. Ela perde o pai para a pandemia. Ele perde amigos. Eles vão ganhando cada vez mais um ao outro.  Em dezembro, ele se muda. A questão, se continuam ou não um casal, fica em aberto. Mas a humanidade de cada um estará preservada e expandida para sempre após essa experiência. 

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